Fake GPS no Android sem root
Ainda existe a crença de que é impossível simular a localização sem root. Ela está desatualizada: o mecanismo de local fictício faz parte do Android e está disponível para qualquer app que o usuário escolheu nas opções do desenvolvedor. Vamos ver o que esse caminho oferece, o que não oferece e por que a outra opção — modificar o sistema — custa mais do que parece.
Confirme que você realmente não precisa de root
O mecanismo nativo basta se a tarefa é fornecer coordenadas a apps que obtêm a localização da forma normal, pelo sistema: mapas, clima, busca por perto, seus próprios apps em desenvolvimento e testes. Essa é a grande maioria dos cenários.

Ative o modo de desenvolvedor
Configurações → “Sobre o telefone” → sete toques em “Número da versão”. A seção “Opções do desenvolvedor” aparece nas configurações; dependendo da interface, ela fica no primeiro nível, em “Sistema” ou em “Configurações adicionais”.

Escolha o app de local fictício
Nas opções do desenvolvedor, encontre o item “Selecionar app de local fictício” e escolha o app instalado. Só um pode estar ativo por vez — o sistema não deixa vários apps fornecerem coordenadas ao mesmo tempo.

Inicie a simulação e confira
Escolha um ponto no mapa, ative a simulação e abra outro app de mapas. Se ele mostrar o ponto escolhido, o mecanismo funciona no nível do sistema, e nenhum privilégio extra foi necessário.

Como funciona de verdade
O Android permite que o app escolhido registre os chamados provedores de localização de teste e grave coordenadas neles. Depois, o sistema entrega essas coordenadas a todos que pedem a localização da forma normal. Os testes automatizados de apps móveis usam o mesmo mecanismo — ele foi criado justamente para o desenvolvimento, e não para burlar algo.
Por isso a simulação não exige direitos de superusuário: o app não interfere em outros processos nem reescreve bibliotecas do sistema, e sim usa um recurso oficial que o usuário ativou de forma consciente.
O que o root oferece e por que não sai de graça
A única coisa que modificar o sistema realmente acrescenta é a possibilidade de esconder a simulação: remover o sinal de “fonte fictícia” e enganar os apps que o verificam. Isso exige bootloader desbloqueado, Magisk ou módulos parecidos.
O preço: você perde a garantia, alguns apps de banco e serviços deixam de abrir por causa das verificações de integridade do sistema, as atualizações deixam de ser instaladas normalmente, e uma instalação malsucedida pode deixar o celular inutilizável. Não apoiamos nem descrevemos esse caminho — o Mock Location funciona estritamente dentro do mecanismo nativo.
Onde fica o limite
Sem root, a simulação fica honestamente visível para os apps que querem vê-la. Serviços para os quais a localização é prova de um fato — confirmação de entrega, controle de ponto, recompensas por localização — geralmente fazem essa verificação e não vão funcionar com coordenadas simuladas. Jogos com sistemas antitrapaça também.
Isso não é uma falha de um app específico, e sim uma escolha de arquitetura deliberada: o app faz o que o sistema permite e não finge fazer mais.
Qual a diferença entre simulação e VPN
Muita gente confunde as duas. A VPN muda de onde vem seu tráfego de rede — pelo endereço IP, um serviço vai achar que você está em outro país. A simulação de localização muda as coordenadas que o sistema operacional entrega aos apps.
São canais diferentes, e um não substitui o outro: um app que descobre a localização pelo IP não vai notar coordenadas simuladas, e um app que pede as coordenadas ao sistema não vai notar a VPN. Às vezes você precisa dos dois.